Onde Fica o Haiti?

21 01 2010

Ao pensar no Haiti a palavra que de imediato me ocorre é Caos! Todos os dias nos chegam imagens do terrível drama que por lá se vive. Às mãos de uma Natureza, que parece roçar a crueldade (apesar de esta ser apenas característica humana), muitos foram os que pereceram… e a prova disso são os inúmeros corpos que jazem nas ruas, debaixo dos escombros, em valas comuns… Como bonecos abandonados, congelados na exacta fracção de tempo em que o sopro de vida os abandonou. E os sobreviventes, de olhos perdidos, vagueiam pelas ruas da cidade, em busca de uma normalidade que não voltará e que aparentemente nunca existiu… Os bens essenciais são escassos, as estradas encontram-se quase intransponíveis, a ajuda não chega a quem precisa, não há casa para onde voltar… É o pesadelo de acordar em Port-au-Prince, depois da tormenta… É a luta diária pela sobrevivência, que desafia da mesma forma crianças e velhos…

O resto do mundo também se abalou com este terramoto. Declarou-se estado de emergência e prontamente foram destacadas forças, enviados recursos humanos e monetários… todos se mobilizaram em prol daquele povo. Um pouco por todo o mundo gerou-se uma onda de solidariedade, mas por experiências anteriores vai chegar o momento em que o Haiti vai perder o interesse e tornar-se notícia passada. Aos poucos vamos regressando ao nosso dia-a-dia, fechados nas nossas “conchinhas”, aguardando a próxima catástrofe. Não interpretem mal as minhas palavras, louvo o trabalho e a dedicação de todos os que de imediato se prontificaram a ajudar. Mas não posso deixar de me questionar se realmente teremos o direito de sentir que a tarefa foi cumprida.

Não será nosso dever garantir o desenvolvimento deste país que sempre viveu em condições precárias? Onde termina a nossa responsabilidade face a este povo? Temos ou não respostas a dar à geração de crianças que crescerá à sombra desta imensurável catástrofe? Infelizmente, acabo por pensar que, como sempre, vamos acabar por adormecer tranquilamente no conforto das nossas casas… porque o Haiti é muito longe… porque as vozes dos que sofrem têm um comprimento de onda que não conseguimos captar realmente… porque as imagens da destruição ficam mascaradas nos ecrãs de televisão… porque não sabemos tomar como nossa a responsabilidade de lutar por um mundo mais justo, mais digno… qualquer que seja a localização geográfica em que nos encontremos.

Mariana Gregório
Colaboradora do IESF

 


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21 01 2010
Catarina Martins

Porque é preciso lembrar, para não nos voltarmos a esquecer…

Pelas gentes do Haiti, da Etiópia, do Afeganistão, do Iraque, do Ruanda, … por todos aqueles que não têm rosto, mas têm direito a uma vida digna e feliz…

Que este terramoto abale sobretudo consciências… não só dos governantes, não só dos poderosos, mas de cada um de nós, cidadãos anónimos. Porque também de nós depende esta mudança, porque também sobre nós cai a responsabilidade…

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